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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: Música e dicionário: pensando sobre o juruna
Autor(es): Cristina Martins Fargetti. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 03/03/2024
Palavra-chave dicionrio, lngua juruna, msica
Resumo

Apresentarei uma discussão sobre a notação de lexemas do campo da música, em dicionário de língua indígena. Donos de uma rica tradição musical, os juruna do Xingu (família juruna, tronco tupi) possuem muitos instrumentos de sopro, aos quais dão nomes diferentes, mas que, ao traduzir para o português, chamam indistintamente de 'flauta'. Tais instrumentos por vezes apresentam inclusive palhetas em sua embocadura, o que os faz diferir de flautas. Antropólogos e músicos têm dado nomes a tais instrumentos aproximando-os dos instrumentos de orquestra: se têm palheta, são chamados de 'clarineta'; se são longos e com sonoridade grave, são chamados de 'trombetas', principalmente. Observando-se, contudo, que uma clarineta tem chaves, tal denominação seria apropriada a instrumentos musicais indígenas que não os têm? Uma proposta de normatização para sociedades indígenas é feita por Seeger (1987), mas parece pouco utilizada. Como então apresentar verbetes mais apropriados, nesse campo semântico, em dicionários gerais, para um púbico variado? Estas e outras questões serão então debatidas, com propostas preliminares de verbetes para a língua/cultura juruna. A língua juruna é falada hoje por aproximadamente 500 pessoas, que vivem em sete aldeias no Parque Indígena Xingu, MT (sobre um levantamento de estudos linguísticos, cf FARGETT, 2010). Também há falantes da língua em dois postos indígenas, PI Diauarum e PI Piaraçu, e na cidade de Brasília (uma mulher, com filhos que, aparentemente, não são falantes da língua). Há índios juruna também no Pará, mas não falam mais a língua indígena. Portanto, o trabalho se limita à população xinguana. Sobre ela, há alguma informação antropológica já em site da internet, contudo não recente ( Lima, 2001, www.socioambiental.org ). Nesse site, deve-se procurar pelo povo yudjá, que é sua autodenominação. Além do referido site, há outras fontes de informação sobre o povo, como trabalhos antropológicos de Tânia Stolze Lima e Adélia Engrácia de Oliveira.