logo

Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: DISCUTINDO A INFLUÊNCIA DE ASPECTOS SOCIAIS SOBRE A CONCORDÂNCIA VERBAL NA FALA DE VITÓRIA
Autor(es): Samine de Almeida Benfica. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 03/03/2024
Palavra-chave Concordncia Verbal, Fatores Sociais, Estilo
Resumo

No português brasileiro, a concordância plural nos verbos consiste em um fenômeno variável. A ausência da desinência de plural é estigmatizada no contexto urbano, podendo ser um indicador de que o falante “não sabe falar Português” (Scherre & Naro, 2014). Entretanto, este fenômeno variável pode ser entendido em razão de diversos fatores de ordem social e linguística. Neste trabalho, focalizamos fatores sociais. Analisamos duas amostras da cidade de Vitória, no Espírito Santo. A primeira delas é o Portvix, constituída por 46 entrevistas labovianas, de fala mais monitorada, cujos informantes estão estratificados segundo seu gênero, escolarização e faixa etária (Yacovenco et al., 2012). Analisamos dados de variação na primeira e na terceira pessoa do plural e encontramos, respectivamente, os índices de 90,4% (472/552) e 78,7% (2528/3213) de concordância nos verbos dessa amostra. Com fins de investigar os efeitos do paradoxo do observador (Labov, 2008, p. 244) sobre os informantes do Portvix, levantamos dados de uma segunda amostra, desta vez, de fala não monitorada, organizada por Calmon (2010). Esse corpus é composto de duas gravações, contemplando a fala de nove informantes naturais de Vitória, também de dois gêneros, de anos de escolarização e de faixas etárias distintas. Embora com um número bastante diferente de informantes e de dados nas duas amostras, os índices da primeira pessoa do plural, com 89,6% de concordância (60/67), acompanharam a média do Portvix, com uma diferença de 0,8 pontos percentuais. Entretanto, os índices para a terceira pessoa do plural, de 70,3% de concordância (45/64), apresentaram uma diferença maior, de 8 pontos percentuais. Isso indica que temos em mãos dois fenômenos que devem ser analisados separadamente. O efeito da escolarização, por sua vez, se mostra paralelo nos dois fenômenos de concordância na amostra mais monitorada: nos dados da primeira pessoa, observam-se os pesos relativos de 0,332; 0,491 e 0,882, para, respectivamente, informantes de escolarização fundamental, média ou universitária; para a terceira pessoa, verificam-se 0,304; 0,501 e 0,788. Assim, ao lado do efeito da escolarização, que atua de forma paralela nos dois fenômenos, com mais concordância em função do aumento de escolarização, o estudo do efeito do fator estilístico, com uma base maior de dados, é tarefa urgente no português brasileiro, com o objetivo de se entender se os aumentos de concordância, que têm sido apontados na década de 2000 (Naro & Scherre, 2013; Yacovenco et al., 2012: 796), ocorrem em todos os contextos estilísticos da área urbana.