logo

Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: HUMOR, ESTEREÓTIPOS E SIMULACROS NA IMPRENSA NATALENSE DA BELLE ÉPOQUE
Autor(es): Cellina Rodrigues Muniz. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 22/02/2024
Palavra-chave HUMOR, IMPRENSA, ESTERETIPOS
Resumo

Os estereótipos – representações mais ou menos cristalizadas de certos tipos sociais – têm funcionado recorrentemente como fonte para textos humorísticos, como piadas, charges, anedotas etc. (ver LUSTOSA, 2011). Como assinala Possenti (2004), pode-se afirmar que é por meio dos estereótipos que se manifesta a relação entre humor e identidades (compreendidas, evidentemente, não como uma essência de um indivíduo ou grupo e sim como uma construção histórica, social e imaginária). Mas, mais do que isso, os estereótipos podem implicar também simulacros, entendidos como identificações que a princípio um grupo não assume, mas que lhe é atribuída de um outro lugar (POSSENTI, 2004, p. 156). Esse par estereótipos/simulacros, assim, implica relações de poder de ordens diversas, o que está atrelado ao aspecto polêmico dos textos humorísticos (embates entre visões de mundo, oposições entre gêneros, profissões, religiões, etnias etc.). Partindo desses pressupostos, esta comunicação pretende demonstrar como estereótipos e simulacros estiveram presentes na imprensa humorística de Natal, Rio Grande do Norte, durante o período conhecido como Belle Époque (transição entre os séculos XIX e XX). Com base na análise de alguns pequenos periódicos da época tidos como humorísticos (Zé-Povinho, A Urucubaca, O Pirilampo, O Fon-Fon etc.), bem como de colunas de humor dos principais jornais da cidade (A República, Gazeta do Comércio), é possível compreender que, naquele contexto da República Velha, a representação estereotipada na imprensa humorística natalense, bem como os simulacros aí envolvidos, de alguns sujeitos da sociedade de então (o poeta, o bêbado, a mocinha, o matuto, por exemplo) apelaram para um riso de zombaria (PROPP, 1992) que atuou como dispositivo de disciplinamento (FOUCAULT, 1987) dos sujeitos na nova configuração política, urbanística e sociocultural que se armava em Natal no começo do século XX. Esse disciplinamento, por meio da imprensa em geral e humorística especificamente, visava à modelação de copos dóceis e úteis (FOUCAULT, 1987) cujos hábitos e comportamentos se ajustassem ao que preconizava o discurso civilizador (ELIAS, 1994) propalado pela elite letrada da capital potiguar. À maneira dos grandes centros urbanos, essa elite intelectual e política, inspirada no modelo francês, fez uso da imprensa e do humor para difundir e quiçá realizar as supostas benesses de ordem e progresso do mundo civilizado.