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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: Leituras poéticas: a hora e a voz dos alunos do ensino médio no Brasil e na França.
Autor(es): Cynthia Agra de Brito Neves. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 03/03/2024
Palavra-chave leitura em voz alta, gneros poticos, Bac-Enem
Resumo

Este trabalho é parte de uma pesquisa de campo realizada durante o meu doutorado, na área de Linguística Aplicada, concluído em 2014, no IEL/UNICAMP, em co-tutela com a Université Stendhal Grenoble 3, na França. Em consonância com a metodologia de uma pesquisa qualitativa, subjetivista e interpretativista (Moita Lopes, 1994), observei um total de 90 horas de aulas de Língua Materna (LM) em classes de dois lycées de Grenoble, na França, e de três escolas (pública e particulares) de ensino médio no interior de São Paulo, Brasil. Acompanhei atividades que envolviam práticas de leitura e escrita dos gêneros poéticos em sala de aula, aqui e lá, com o objetivo de estabelecer contrastes e buscar, sob esta perspectiva, heranças e influências da pedagogia francesa no ensino-aprendizagem de poesias no ensino médio nacional. Destaco, contudo, neste trabalho, como parte do corpus analisado, o tratamento dado pelos professores brasileiros e franceses às leituras poéticas (realizadas ou não) em sala de aula. A oralidade, tão em moda nas discussões que envolvem ensino-aprendizagem de LM, tal como sugerem Dolz e Schneuwly (2004), revozeados pelos nossos PCNs, não tem encontrado eco por entre os muros das escolas – eis o que se constatou em território nacional e francês em se tratando de gêneros poéticos. Na França, a leitura de poesias em voz alta se dá em sala de aula como treinamento para a lecture expressive, exigência do exame nacional francês, o baccalauréat (bac); no Brasil, nosso Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) não aplica prova oral, portanto, cabe aos gêneros poéticos lugar de destaque apenas na prova escrita. Apesar do pouco prestígio dado às leituras poéticas, tanto lá quanto cá, foi possível constatar événements poétiques (Rannou, 2010) inusitados em sala de aula, em que alunos tomam a vez do professor e soltam a voz, por exemplo, no rap de protesto; desejam se fazer ouvir, declamam poesias com o corpo, com os músculos, com as tripas e com o sangue, teatralizando-as em verdadeira performance, conforme propõe Zumthor (2007). E, desse modo, os alunos-leitores de poesias driblam as exigências escolares e se colocam no mundo.