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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: Ideologias linguísticas na educação linguística em Cabo Verde e políticas linguísticas no cenário multilíngue e inter/multicultural cabo-verdiano
Autor(es): Cloris Porto Torquato. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 05/03/2024
Palavra-chave Educao lingustica em cenrio multilngue e inter/multicultural, Ideologias lingusticas, Polticas lingusticas
Resumo

O cenário sociolinguístico cabo-verdiano é multilíngue e inter/multicutural, constitutivamente híbrido ((BHABHA, 2005; CANCLINI, 1997; César e Cavalcanti, 2007): nas nove ilhas habitadas do arquipélago, há distintas variedades do crioulo e distintas variedades da língua portuguesa; em algumas ilhas, há imigrantes do continente africano, falantes de crioulo guieneense, de francês e de línguas africanas, como o fula, o manjaco e o balanta. Além disto, boa parte da comunidade cabo-verdiana vive na diáspora, em diferentes países, principalmente Holanda, França, Itália, EUA e Portugal. O contato entre os residentes na diáspora e os habitantes do arquipélago é freqüente, e muitas vezes é marcado pelo uso dessas línguas desses diferentes países, especialmente a francesa, a inglesa e a italiana.   Além disto, é freqüente a mobilidade de cabo-verdianos a esses países para visita aos familiares emigrados e em emigrações periódicas e retornos a Cabo Verde. Assim, no cenário atual de globalização e por características próprias da constituição da sociedade cabo-verdiana, boa parte dos cabo-verdianos está em contato permanente com outras culturas e línguas. Esse é o cenário mais amplo em que se insere a educação linguística em Cabo Verde. Além disto, essa educação é marcada pelas ideologias do Estado-Nação cabo-verdiano, que enuncia discursos que buscam construir uma certa identidade nacional, especialmente orientando as políticas linguísticas desenvolvidas no contexto educacional. O estudo de processos de educação linguística neste contexto sociolinguístico contemporâneo cabo-verdiano requer que se volte o olhar para as ideologias e, consequentemente, para as políticas linguísticas situadas, produzidas pelo Estado e por diferentes atores sociais. Essas políticas, em função do próprio contexto, articulam-se aos processos de globalização (CANCLINI, 2003; SANTOS, 2000), uma vez que esses cenários de ensino também passam pelos processos de compressão espaço e tempo, sofrem os efeitos das tecnologias digitais e hibridações linguísticas e culturais (MOITA LOPES, 2013).  Nesse cenário, as investigações que empreendemos sobre a educação linguística no cenário multilíngue e inter/multicultural de Cabo Verde baseiam-se na perspectiva de linguagem constitutivamente híbrida (César e Cavalcanti, 2007) e marcada pela (super-)diversidade (BLOMMAERT, 2010; blommaert; rampton, 2011). E focalizam as ideologias linguísticas (KROSKITY, 1998; WOOLARD, 1998) e políticas linguísticas (RICENTO, 2006; MOITA-LOPES, 2013) construídas no contexto educacional cabo-verdiano, tanto no que se refere ao ensino da língua portuguesa – língua oficial do país – quanto ao ensino de línguas adicionais (inglês e francês).