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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: Análise fonético-acústica da vogal média-alta anterior em início de vocábulo na variedade do interior paulista
Autor(es): Mrcia Cristina do Carmo. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 29/02/2024
Palavra-chave Fontica Acstica, Vogais, Alamento voclico
Resumo

Este trabalho objetiva realizar uma caracterização fonético-acústica da vogal média-alta anterior em início de palavra no dialeto do interior paulista, como em “/e/lástico”, “/e/nfermeira”, “/e/rvilha” e “/e/smalte”. Assim como a vogal /e/ pretônica medial, como em “m[i]ntira” e “v[i]stido”, a vogal /e/ pretônica  inicial é sujeita à aplicação do fenômeno variável denominado “alçamento vocálico”, por meio do qual a vogal média-alta é pronunciada como alta, como em “[i]nfermeira” e “[i]smalte”. Entretanto, essas vogais em diferentes contextos – medial e inicial – comportam-se de maneiras distintas em relação à aplicação do fenômeno  (cf. BISOL, 1981; BATTISTI, 1993; BRANDÃO;  ROCHA;  SANTOS, 2012), o que justifica o enfoque do objeto desta pesquisa ao comportamento da vogal /e/ pretônica  inicial. Para a obtenção dos dados analisados, 4 falantes provenientes do interior paulista foram submetidos a 2 experimentos: (i) leitura de narrativas curtas, em que a pretônica era precedida por uma vogal postônica final [i] ou por uma vogal baixa [a]; e (ii) repetição de palavras, em que a pretônica era antecedida por pausa. Foram utilizados 20 estímulos – balanceados por meio de um t-teste não-paramétrico (Kruskal-Wallis) – e 40 distratores. A realização de 20 estímulos em 3 contextos (2 no primeiro experimento e 1 no segundo experimento) por 4 falantes resultou em um total de 240 itens.  A “natureza do elemento em coda” e o “contexto precedente” foram considerados condicionadores por serem essas as variáveis linguísticas identificadas como relevantes em um estudo anterior, de cunho sociolinguístico. Procedeu-se à análise formântica (F1 e F2) por meio da utilização do software PRAAT e do programa estatístico R, versão 3.1.1., com a realização de testes ANOVA para comparação entre as médias. Como resultado geral, observou-se que o “contexto precedente” não é significativo em relação à diferença de valores formânticos, mostrando que possíveis contextos de sândi vocálico externo (cf. BISOL, 2002; TENANI, 2002), como em “busca espelho” e “coloque espelho”, não atuam na aplicação do alçamento. Por outro lado, a “natureza do elemento em coda” mostrou-se significativa no que tange à mudança dos valores de F1 e F2 das vogais analisadas, com a diminuição do valor de F1 e aumento de F2 das vogais seguidas por nasal, como em “encerar”, e fricativa alveolar, como em “espelho”, e consequente aproximação dessas vogais à área correspondente à da vogal alta anterior, fornecendo indícios de uma maior taxa de aplicação do alçamento vocálico nesses contextos (Apoio: CAPES – Processo 10895/13-2).