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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: MÓBILE DE PALAVRAS E NORMAS NEOLÚDICAS: A RENOVAÇÃO LEXICAL EM OBRAS LITERÁRIAS INFANTOJUVENIS
Autor(es): Solange Maria Moreira de Campos. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 05/03/2024
Palavra-chave neologismos, estilstica lxica , normas neoldicas
Resumo

Em algumas produções literárias contemporâneas voltadas para jovens leitores observa-se a presença recorrente de formações neológicas na tessitura do material escrito, conferindo à literatura o papel de disseminadora de neologismos. Os recursos expressivos da língua, ao transitarem esteticamente no cenário textual, em seus vários planos – morfológico, fonológico e léxico-semântico – dão guarida à inventividade linguística dos escritores. Os procedimentos usados por eles para a criação de novos itens lexicais resultam, pois, dessa mistura saudável de recursos e conferem à língua uma feição diversa, expressiva e lúdica, alcançada pela novidade e, ao mesmo tempo, pelo estranhamento de algumas construções. O texto, então, esboça outra escultura, com a criação de um inusitado móbile de palavras, rico em expressividade e movimento. As novas unidades lexicais se ligam como hastes finas ao todo do texto, giram livremente, incentivando o leitor, agora cúmplice e coautor, a lhe conferir novos sentidos. Os signos, por si só, adquirem inéditas texturas, impulsionados por construções experimentais, pois as palavras, material de que se servem os autores, movimentam-se em combinações malabares, para proporcionar outros efeitos visuais à ficção. Com este estudo, pretende-se demonstrar a função lúdica dos neologismos na literatura destinada a crianças e jovens, como também atiçar a curiosidade de leitores e professores para uma das particularidades do dinamismo da língua – a criação neológica – e lhes oferecer mais uma possibilidade de leitura dos textos literários em sala de aula. Outro propósito deste estudo é o de refletir sobre as formações neológicas a partir das normas neolúdicas, consideradas neste estudo como um conjunto de regras ou critérios para a análise dos processos de criação de novas palavras em obras literárias. Nesse fenômeno linguístico, o que chama a atenção não é o processo de formação de palavras, de criação em si, mas a expressividade e o modo como os autores “brincam” com os signos. Para leitores iniciantes, fica mais fácil observar de que recursos os autores se servem para atribuir significados novos a significantes da língua e, consequentemente, transformar a leitura literária numa atividade prazerosa, desvinculada do ato obrigatório em si. À luz das ideias de Guilbert (1975) sobre a criação neológica estilística, presente na linguagem literária, mas sem guarida nos dicionários; nos pressupostos teóricos estabelecidos por Martins (2000), ao destacar a estilística e a expressividade na língua portuguesa; e nas contribuições de Ferraz (2010) sobre a inovação lexical, constrói-se o arcabouço teórico deste estudo.