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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: O mapeamento prosódico e as interpretações de sentenças sintaticamente ambíguas por aposição de atributo: comparativo de duração
Autor(es): Melanie Campilongo Angelo. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 03/03/2024
Palavra-chave frase fonolgica, atributo, alongamento
Resumo

Este trabalho visa apresentar  um comparativo das médias de duração de sentenças ambíguas em dois experimentos, sendo que espera-se que sentenças com o mesmo mapeamento prosódico tenham durações similares, ainda que possuam interpretações distintas.

Angelo & Santos (2012) analisaram se os falantes fazem uso da duração em um processo de alongamento para desambiguizar sentenças sintaticamente ambíguas, como em (1), em situações em que a frase fonológica pode se reestruturar compondo um único domínio ou deve manter dois domínios (cf. Nespor & Vogel 1986):

(1) O pai visitou o filho feliz.

A. o pai [visitou o filho][feliz] – ‘pai feliz’

B. o pai visitou [o filho feliz] – ‘filho feliz’

 Tal alongamento se justificaria pois as sílabas tenderiam a ser alongadas quanto mais alto fosse o domínio prosódico (Oller (1973); Klatt (1976); Wightman et al. (1992); Fougeron & Keating (1997)), mas não foi o que as autoras encontraram.

O que se observa, no entanto, é que uma terceira interpretação (C) é possível: O pai tem mais de um filho, o filho que ele visitou é o filho feliz (mesmo mapeamento de 1B). Pergunta-se, então, se os padrões de duração encontrados pelas autoras se repetem quando o parsing é o mesmo que B, mas a interpretação é outra (C).

As sentenças foram aplicadas em histórias breves, nas quais o contexto conduzia a uma ou outra interpretação. A interpretação de aposição não-local (A) é a mesma de Angelo e Santos, não havendo razões, então, para que houvesse uma variação da média de tais sentenças, o que serve, também, como controle para o teste. A interpretação de aposição local é outra (C). Todos os informantes fizeram a leitura em voz alta de todas as sentenças em ambos os contextos.

Primeiramente, os resultados apontaram para diferenças duracionais relevantes, sendo as interpretações A sempre mais longas que C (em geral, mais de 50ms). Tal diferença indica que (i) os falantes realizam alguma diferença duracional entre os tipos de leitura (ii) há uma forte tendência ao alongamento onde há fronteira prosódica.

Por fim, comparando as leituras de ambos os experimentos, pode-se verificar que a média de duração no contexto onde pode haver reestruturação é mantida independentemente da interpretação. Porém, foi surpreendente o fato de as sentenças A (aposição não-local) nesse novo teste serem mais longas do que as de Angelo e Santos, podendo indicar, então, que o alongamento de fato se realiza quando há fronteira prosódica.