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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: Ciberfeminismos: identidades possíveis
Autor(es): jaqueline gonalves araujo. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 26/02/2024
Palavra-chave feminismos, ciberfeminismos, tecnologia
Resumo

Os ciberfeminismos podem ser definidos de diversas formas como práticas feministas na internet, crítica a negação do feminino na tecnologia, construindo novas ordens, corpos, pensamentos, e desestabilizando antigas imagens, lugares “seguros” das identidades. No entanto, é possível encontrar várias narrativas para compreender as genealogias ciberfeministas.

Uma delas é construída pela pesquisadora Sadie Plant, que afirma que a internet teria uma linguagem feminina, pois a exequibilidade dessa estaria intrinsecamente ligada às mulheres, que possibilitaram com seus estudos/trabalhos o desenvolvimento da internet. Essa afirmação é construída por Plant ao escrever uma história da tecnologia incluindo e valorizando a participação feminina no desenvolvimento de tecnologias. Nesse contexto, a história de Ada Byron é retomada e interligada ao nascimento da linguagem de computadores, assim como a história de várias mulheres desconhecidas (PLANT, 1999).

Outra dessas narrativas caracteriza os ciberfeminismos como uma forma de ativismo digital, como uma crítica aos discursos tecnoautoritários e a hegemônica presença masculina nos lugares de saber técnico e de construções tecnológicas. Afirma que o ciberfeminismo “nasceu” em um contexto europeu dos anos 90, através da criação do termo “ciberfeminista” pelo grupo australiano “Venus Matrix - VNS Matrix”, em 1991, ao divulgar “Manifesto Ciberfeminista para o Século XXI”. Texto inspirado no Manifesto Ciborgue de Donna Haraway, entendido como possibilidade para os “sujeitos” feministas se reinventarem, por intermédio de um mito político: o ciborgue, uma ficção experienciada e vivida por intermédio da afinidade e não mais da identidade.

Compreendendo essas narrativas a partir do conceito de narratividade de Eni Orlandi, entendido como a maneira pela qual a memória se diz em processos identitários, apoiados em modos de inviduação do sujeito, afirmando vinculando seu pertencimento a espaços de interpretação determinados, consoantes a específicas práticas discursivas.”(ORLANDI, 2013), o trabalho de Cristiane Dias sobre sujeito e espaço digital e o conceitos de identidade em Rosi Braidotti, que define identidade pela negação, “ não é compreendida como algo fixo, essência dada por Deus – do tipo biológico, psíquico ou histórico.” E sim, um processo “é construida nos mesmos gestos que a colocam como ponto ancoradouro de certas prática sociais e discursiva”. (BRAIDOTTI, 2002). Busco compreender como as teorias feministas dos anos 1980/90 de D. Haraway e S. Plant dão “origem” ao conceito de ciberfeminismo e pensar quais são os efeitos de sentidos que possibilitam considerar a internet lugar de articulação feminina e as questões levantadas por essa afirmação no tempo-presente, as identidades feministas.