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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: ACESSO A RECURSOS E GESTOS DE FILIAÇÃO – MEMÓRIAS EM JOGO
Autor(es): Ana Slvia Couto de Abreu. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 25/02/2024
Palavra-chave DISCURSO, FILIAO, MEMRIA DISCURSIVA
Resumo

Na perspectiva da Análise de Discurso francesa, buscamos compreender o funcionamento de repositórios brasileiros com recursos educacionais abertos, tendo em vista seus efeitos na constituição de uma política pública educacional. Os recursos educacionais abertos são materiais licenciados de forma aberta ou em domínio público, podendo ser utilizados e transformados por qualquer usuário. Entendemos que a condição de acesso da população a determinados dispositivos tecnológicos não pode ser entendida apenas no âmbito individual, mas sim, em uma dimensão do coletivo, do público. Tomamos como categorias centrais de análise os sentidos de arquivo, na perspectiva pecheuxtiana (PÊCHEUX, 1983, 1994) e memória metálica, na concepção produzida por Orlandi (1996). As questões que se colocam referem-se aos modos de circulação dos repositórios e as possibilidades potenciais de acesso pelo público idealizado a que eles se propõem. A questão do acesso desliza para disponibilização no espaço digital, mas também para condições possíveis para cada sujeito, tendo em vista sua memória discursiva em dadas condições de produção. A análise, ainda parcial, encaminha para uma compreensão do discurso que circula via repositórios com recursos educacionais abertos marcando a ratificação de um modelo centrado em recortes disciplinares, com possibilidades ainda incipientes de inserção de objetos digitais com a autoria de professores de redes públicas, construindo, assim, um efeito de apagamento do sujeito professor, no sentido de falta de reconhecimento dos saberes docentes no campo digital, bem como um apagamento dos debates sobre integração entre áreas do saber. Além disso, o efeito da memória metálica se manifesta, com o aumento de número de repositórios e tipos de recursos disponibilizados, em nome da qualidade da educação, em um efeito de linearização de informações, sem consequente espaço na rede pública para construção coletiva de interpretações desses arquivos, em um confronto de leituras, marcando condições de produção individuais dos docentes, como se a tal qualidade da educação fosse da ordem do individual. Colocar como questão o modo de produção desses repositórios, bem como seus modos de circulação, possibilita-nos pensar sobre a relação constitutiva entre arquivo e memória histórica, no sentido trazido por Pêcheux, dando ênfase a gestos de filiação e não ao mero acesso a banco de recursos em plataformas digitais.