logo

Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: A mobilização de cenografias discursivas e o gerenciamento da imagem de si como indícios de autoria
Autor(es): Fernanda Mussalim Guimares Lemos Silveira. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 25/02/2024
Palavra-chave indcios de autoria, cenografia, ethos
Resumo

As propostas pedagógicas de ensino de Língua Portuguesa no Brasil, desde o final da década de 70, têm se centrado na questão do texto, dos processos de textualização e dos gêneros do discurso. Neste contexto, a problemática da relação entre escrita e subjetividade norteou grande parte das pesquisas e, não raras vezes, desembocou na problemática da autoria. A proposta de Sírio Possenti, que relaciona estilo, subjetividade e indícios de autoria, apresentou-se bastante fecunda na análise de textos escolares, especialmente ao definir que os indícios de autoria – dar voz aos outros; evitar a mesmice em relação ao modo como se dá voz aos outros; manter distância em relação ao que se diz e aos interlocutores – são da ordem do discurso e não da gramática ou do texto. Partindo dessa perspectiva, pretendo, nesta comunicação, demonstrar a viabilidade de se considerar mais dois elementos como possíveis indícios de autoria: a mobilização de cenografias discursivas e o gerenciamento da imagem de si. Esses conceitos, tais como são mobilizados neste trabalho, foram postulados no quadro teórico proposto por Dominique Maingueneau para a Análise do Discurso e possibilitam verticalizar a posição de Possenti anteriormente apresentada, de que os indícios de autoria são da ordem do discurso. Tomarei, como corpus de análise para esta comunicação, dois textos recentes publicados na imprensa brasileira, a fim de analisar a relação entre mobilização de cenografias, gerenciamento da imagem de si e marcas de subjetividade, isto é, entre os dois fenômenos discursivos aqui abordados e indícios de autoria. Em relação à abordagem metodológica, seguirei Dominique Maingueneau – segundo o qual o tratamento metodológico do corpus deve partir de hipóteses fundamentadas na história e em um conjunto de textos, sendo que a análise desse conjunto pode vir a confirmar ou refutar as hipóteses estabelecidas – e Michel Pêcheux – que propõe que uma metodologia de análise discursiva deve implicar movimentos de alternância entre os gestos de descrever o corpus e interpretá-lo. (Apoio: CNPq)