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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: Uma voz bakhtiniana sobre vozes sociais
Autor(es): Luciane de Paula. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 26/02/2024
Palavra-chave Crculo de Bakhtin, Vozes sociais, enunciado verbivocovisual
Resumo

Ao se pensar sobre o que o denominado Círculo de Bakhtin propôs acerca da noção de vozes sociais, pensa-se sobre como essa concepção aparece em suas obras e em como é lida/recebida por estudiosos contemporâneos, de e em diversos países. A proposta desta comunicação é se voltar à leitura que Bubnova faz desse conceito, relacionado às questões musicais (metaforicamente tomadas no campo da filosofia da linguagem), tais como: entoação, polifonia, escuta, orquestração e acento valorativo. Não se quer, com o estudo apresentado, classificar noções e muito menos hierarquiza-las, mas sim refletir sobre a produtividade filosófica das interações entre áreas (música, filosofia da linguagem e análise de discurso) e concepções que, num mesmo escopo, o bakhtiniano, dialogam intrinsecamente. Entende-se a importância das vozes sociais por revelarem posicionamentos que refratam valores, colocados em embate, de maneira ontológica. O objetivo é demonstrar como as concepções se entrelaçam, bem como refletir sobre de que maneira um determinado conceito (vozes sociais) é tomado por determinados estudiosos (no caso, por Bubnova), assim como, muitas vezes, operacionalizado sem grandes problematizações, retirado de contexto, sem se remeter ao campo de sua origem (no caso, o musical e o oral). Voltado o conceito de vozes sociais a sujeitos e enunciados, pretende-se ainda ilustrar a importância dessa concepção a partir da análise de “Um em Quatro”, de Drummond; “V”, de Portinari; e uma glosa de “Dom Quixote de la Mancha”, de Cervantes. Acredita-se, com isso, contribuir com os estudos bakhtinianos não apenas pela reflexão teórica acerca de um determinado conceito, mas também por pensar a sua produtividade em enunciados verbivocovisuais (um poema, um desenho e um romance de cavalaria), não pensados pelo Círculo russo, mas na contemporaneidade sincrética e híbrida em que vivemos. Afinal, como as vozes sociais são explicitadas nas vozes (muitas vezes, sem vozes), seja de um enunciado imagético seja na entoação de um “marginal”? Como é possível ler as vozes sociais na voz de Bakhtin e de alguns de seus estudiosos? Essas são algumas das questões que motivam o estudo apresentado.