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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: Reflexões sobre as crônicas de Manuel Bandeira
Autor(es): Jauranice Rodrigues Cavalcanti. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 23/02/2024
Palavra-chave discurso literrio, crnica, Manuel Bandeira
Resumo

Este trabalho propõe-se a analisar um corpus constituído de crônicas de Manuel Bandeira levando em conta as reflexões da Análise do Discurso francesa (AD) sobre o campo literário, em especial o quadro teórico-metodológico proposto por Maingueneau (2006, 2010). Ao refletir sobre a complexidade dos processos de subjetividade atuantes na criação literária, o analista propõe que a autoria seja vista como um todo composto por três instâncias: a pessoa, o escritor e o inscritor. Maingueneau ressalta que as três instâncias não são apresentadas em sequência, em termos de cronologia ou estratos, mas cada uma delas é atravessada pelas outras, como três anéis que se entrelaçam, tal como um nó borromeano. Da complexificação da instância autoral proposta pelo analista decorre a reavaliação de um conjunto de obras que representam um problema para os críticos literários. Nelas, em particular os múltiplos gêneros de textos autobiográficos no sentido amplo (diários de escritores ou relatos de viagens), a pessoa e o escritor são conduzidos ao primeiro plano, o que leva os especialistas a se interrogarem se se trata ou não de textos literários. No que diz respeito à obra bandeiriana, os dois regimes apontados por Maigueneau são contemplados, uma vez que, além da poesia, o autor escreve: texto autobiográfico, ensaios sobre literatura, cartas trocadas com Mario de Andrade, crônicas. A leitura de sua obra permite constatar o que Maingueneau afirma sobre as instâncias inseparáveis que formam o nó borromeano, isto é, que: “através do inscritor, é também a pessoa e o escritor que enunciam; através da pessoa, é também o inscritor e o escritor que vivem; através do escritor, é também a pessoa e o inscritor que traçam sua trajetória no espaço literário” (2006, p.137). Além disso, ao nome Manuel Bandeira relaciona-se uma obra cuja imagem se destaca na “memória coletiva” da sociedade brasileira. Essa obra, a imagem de autor a ela relacionada, não cessa de ser construída, haja vista o número de reedições de poemas e de publicações de novas antologias, que alimentam uma rede de aparelhos constituída de editores, leitores e avaliadores legítimos. Assim, esta comunicação objetiva discutir questões que problematizam a autoria nas crônicas de Manuel Bandeira.