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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: Imagens da escravidão no romance Til, de José de Alencar.
Autor(es): Hebe Cristina da Silva. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 23/02/2024
Palavra-chave Escravido, Jos de Alencar, Romance
Resumo

O presente trabalho analisa as imagens de escravidão em Til, um romance regionalista de José de Alencar, comparando-as com as ideias defendidas pelo autor ao longo dos anos de 1870 e 1871 em discursos e textos políticos através do qual discutiu a escravidão no Brasil.

Essa narrativa foi publicada em volume em 1872, mas já havia sido impressa na forma de folhetins em 1871, ano em que se promulgou a Lei do Ventre Livre após os inúmeros debates nos quais Alencar, na condição de deputado, defendeu uma postura contrária à sua aprovação. Em termos gerais, o escritor cearense acreditava que essa lei abalaria a estrutura baseada na vontade senhorial que garantia a harmonia das relações sociais, podendo gerar grandes prejuízos para o país em geral, para os senhores e para os próprios escravos. Para ele, o governo deveria incentivar a abolição a partir da iniciativa privada e dar condições para que os escravos fossem preparados antes de serem libertos. Assim, quando recebessem sua carta de alforria, eles poderiam ser realmente inseridos na sociedade e possuir emprego e moradia dignos, não se tornando vítimas da marginalização e da exclusão.

As imagens de negro e de escravidão presentes no romance Til dialogam estreitamente com as ideias defendidas por Alencar no plano político. Nessa obra, a fazenda em que se passa a maioria dos acontecimentos é caracterizada como um lugar cujas relações harmônicas e cuja prosperidade são mantidas graças à autoridade senhorial, já que o senhor/proprietário é responsável pelo bom andamento do trabalho e pela manutenção da harmonia das relações sociais desse "microcosmo". Quanto à relação senhor/escravo, temos a configuração dos cativos como personagens que conviviam bem com sua condição e aceitavam-na sem problemas, pois seus senhores são caracterizados como pessoas benevolentes que permitiam que eles possuíssem certo grau de liberdade, organizassem festas e cultivassem suas roças. Além disso, não havia distanciamento efetivo entre senhores e escravos e a relação entre eles não era mediada pela violência, mas pela cordialidade e benevolência, algumas vezes havendo até familiaridade e laços afetivos fortes entre ambos. O trabalho escravo, da forma como é traçado na narrativa, não parece um costume bárbaro que desmerecia a sociedade que o cultivava, já que a rotina dos escravos e o tratamento que recebiam dos senhores permitia-lhes levar uma vida com regalias e prazeres.