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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: Versos-metáfora: imagem e som em Cobra Norato
Autor(es): ELIANA MARIA AZEVEDO RODA PESSOA FERREIRA. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 25/02/2024
Palavra-chave Estilstica, Metfora, Cobra Norato
Resumo

Cobra Norato, obra poética de Raul Bopp, é uma releitura do mito homônimo da região amazônica. O poeta reescreve a lenda sob a ótica antropofágica, devorando a narrativa, inserindo e mesclando os gêneros, a língua e os costumes, transformando e transformando-se continuamente a partir da metáfora da pele de seda elástica. É a partir dessa metáfora que Norato percorre a floresta cifrada, espaço e tempo do sem-fim, em busca da filha da rainha Luzia com quem quer se casar. Norato segue pela floresta cifrada, dominada pelo discurso, reelaborada pelos símbolos, pelo mito. Percorre o espaço representativo do mundo em formação, a fim de captar a sua linguagem, suas histórias, animizando os seres da floresta numa devoração constante. Escolhendo o mito, o poeta trabalha os símbolos que, no dizer de Campbell (2003), significam mais do que dizem e são frequentemente energizados pela metáfora. O universo de Cobra Norato, então, pleno de símbolos, de metáforas, influência clara das vanguardas, notadamente do ultraísmo cuja proposta vinculava a poesia, não à ideia de desenvolvimento, mas sim de síntese. Essa é a característica marcante das metáforas boppianas: síntese, fruto da fusão de planos. Cobra Norato mergulha na imagem, na metáfora como recurso de registro fotográfico e sonoro capaz de captar sensações, versos como A selva imensa está com insônia; O resto da noite me enrola; O rio se engasgou num barranco são representativos dessa valorização da imagem, da metáfora visual e sonora. Falamos, então, de acoplamentos (LEVIN, 1975), de convergência de planos, de fusão do som, imagem e sentido, em que o verso é o responsável por desafiar incessantemente a arbitrariedade do signo. Não há excesso, há sim uma preocupação em escolher um som que se case com a imagem, sem esquemas métricos e rimas. Assim, o objetivo desta apresentação é analisar alguns versos-metáfora presentes no poema de Bopp cuja aproximação entre som e imagem contribuiu para o aumento da expressividade.

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