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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: Estruturas inacusativas e seu funcionamento no PB atual
Autor(es): Karla Anglica Fernandes Gomez. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 23/02/2024
Palavra-chave verbos monoargumentais, morfologia distribuda, critrios de inacusatividade
Resumo

Muito se discute em sintaxe sobre os chamados verbos monoargumentais. Basicamente, sabe-se que existem dois tipos: inergativos e inacusativos, sendo sua principal diferença a seleção de seu único argumento (externo e interno, respectivamente). Contudo, percebe-se que esta classificação é bastante heterogênea, já que a principal ferramenta neste tipo de pesquisa é a intuição que os falantes têm de sua língua, neste caso o Português Brasileiro (PB), e esta pode variar bastante de acordo com os conhecimentos e contextos aos quais cada indivíduo está inserido. Diante desta dificuldade na classificação dos verbos, alguns pesquisadores já chegaram até mesmo a sugerir a noção de prototipicidade, resultando em verbos inacusativos/inergativos prototípicos (para aqueles que apresentavam o resultado esperado em todos os testes aplicados) e os menos prototípicos, estes ainda divididos em graus de maior ou menor prototipicidade (CIRÍACO; CANÇADO, 2006). Buscando uma abrangência maior e mais eficaz no estudo dos verbos monoargumentais, o presente trabalho, sempre de acordo com os pressupostos teóricos da Gramática Gerativa (CHOMSKY, 1986, 1995), observou ainda fenômenos que vêm acontecendo no PB e que já estão sendo estudados, como é o caso da alternância causativa em sentenças como “O cozinheiro derreteu o chocolate” e “O chocolate derreteu” (ANDRADE, 2003), ou ainda em exemplos como “O sanduíche engoliu” (NEGRÃO; VIOTTI, 2010). Outro aspecto observado foi a atribuição de Caso default nas sentenças com alternância causativa e também naquelas em que não há concordância entre o verbo inacusativo e seu complemento na ordem VS, contando agora com os estudos de McFadden (2004), de acordo com a teoria não lexicalista da Morfologia Distribuída (HALLE; MARANTZ, 1993; MARANTZ, 1997). Finalmente, depois de novas tentativas de aplicação dos critérios de inacusatividade, usando mais uma vez a intuição de falantes nativos do PB, chegou-se à conclusão de que a busca por uma classificação homogênea dos verbos argumentais é uma tarefa bastante árdua, sendo uma hipótese mais eficaz argumentar que, na verdade, o que há na língua são estruturas inacusativas já prontas (MARANTZ, 2013), nas quais uma determinada raiz pode ser inserida, dependendo do conteúdo por ela veiculado.