logo

Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: "PARTA DESSA PARA UMA MELHOR": ALGUMAS REFLEXÕES ACERCA DO DISCURSO SOBRE A MORTE NA PUBLICIDADE FUNERÁRIA
Autor(es): Mercia Sylvianne Rodrigues Pimentel. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 01/03/2024
Palavra-chave Discurso, Morte, Publicidade
Resumo

No domínio da morte, propagandas comerciais se utilizam do argumento da imprevisibilidade do momento final para fazer com que as pessoas planejem financeiramente a sua despedida. Fazem-nas acreditar que é necessário providenciar um funeral que “não deixe a desejar” para propiciar "conforto" e "tranquilidade" a familiares e amigos, de modo que o valor de uso das mercadorias mortuárias seja utilizado como isca para a reprodução do valor de troca. Levando isso em consideração, o presente estudo tem como finalidade compreender os efeitos de sentido provenientes do discurso sobre a morte na sociabilidade contemporânea, a partir de anúncios publicitários veiculados por empresas que integram o Grupo Parque das Flores, atualmente o maior conglomerado empresarial funerário de Maceió/AL. A tese defendida é a de que o sistema capitalista de produção se apropria da morte, transformando-a em mercadoria, e isso o faz mediado pela publicidade, que desperta nos sujeitos o desejo de adquirir produtos e serviços do mercado funerário, formando, consequentemente, potenciais “consumidores fúnebres”. A Análise do Discurso (AD) franco-brasileira é tomada como arcabouço teórico norteador, sendo também trazidas para a discussão reflexões de outras áreas do conhecimento, como a teoria marxista acerca da mercadoria e alguns postulados básicos da Publicidade e da Propaganda. O anúncio "Parta dessa para uma melhor" responsável pela venda de jazigos em cemitério privado de Maceió/AL é uma das materialidades discursivas analisada neste trabalho. A partir das análises, pôde-se depreender que a morte adquire status de objeto de consumo rentável na medida em que é abarcada pela economia capitalista. Sendo a morte compreendida enquanto materialidade concreta, emerge, então, o discurso mercadológico da morte, que, a partir de evidências ideológicas disseminadas via publicidade, simula despertar nos sujeitos uma preocupação com a finitude humana e o consequente preparar-se para a sua chegada, quando, na realidade, a morte é trabalhada para vender e para lucrar, reforçando assim a reprodução do valor-capital e das ideias dominantes do modo de produção capitalista.