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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: O DIÁRIO ÍNTIMO COMO ESCRITA FEMININA ENTRE OS SÉCULOS XVII E XX
Autor(es): Adriana Batista Lins Benevides. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 23/02/2024
Palavra-chave Dirio ntimo, escrita feminina, Histria da Cultura Escrita
Resumo

No Ocidente, na Idade Média, os gêneros diarísticos eram práticas inicialmente masculinas, escritos por homens da corte que narravam guerras, viagens, descobertas, fatos históricos, o cotidiano etc. – o que podemos também chamar de crônicas. Esses diários de caráter totalmente público eram divulgados e até mesmo publicados. As mulheres da corte que sabiam ler e escrever também almejavam ter as suas escritas pessoais publicadas, mas cabia aos homens decidirem o modo como os diários deveriam ser publicados. Isso acabou silenciando as vozes de muitas mulheres que exerciam essa prática. Assim, muitos diários produzidos por mãos femininas foram deixados à margem e desvalorizados. Com o passar do tempo, o gênero diário, de domínio masculino no Ocidente, se tornou uma prática também popular entre as mulheres. Os diários de mulheres escritos entre os séculos XVII e XIX revelavam a expressão de suas vidas; seus registros eram influenciados pelas funções assumidas por elas em seu lar. A partir dos estudos desenvolvidos pela História Cultural e pela História da Cultura Escrita, que proporcionaram abordagens diferenciadas dos registros escritos à margem da história dita oficial, tornou-se possível estudar e analisar documentos escritos por pessoas consideradas “simples”, “comuns”, tais como os diários íntimos. Assim, considerando esse percurso, coerentes com as perspectivas de estudo da História Cultural e da História da Cultura Escrita e concebendo o diário como um gênero discursivo (BAKHTIN, 2011) que guarda/conserva os registros pessoais de um(a) diarista – em geral, relevantes acontecimentos do seu cotidiano, seus sentimentos e confidências que, nesse gênero, se materializam e mostram o universo cultural e psicológico de um indivíduo –, delineamos nosso objetivo de investigação, que consiste em descrever como se dá a relação da mulher com o diário íntimo do século XVII ao XX. Para atingirmos esse objetivo, valer-nos-emos do aparato teórico-metodológico proposto pelo campo da História da Cultura Escrita: Chartier (1990, 2010), Petrucci (1999) e Castillo Gómez (2003) e também recorreremos às reflexões desenvolvidas por Lejeune (1997, 2008), Alberca (2000), Muzart (2000), Cunha (2000, 2009), Oliveira (2002) e Henrique (2008). Esperamos, com esta comunicação, contribuir para os estudos da prática diarística, já que, no Brasil, são poucas as pesquisas que tratam desse assunto.