logo

Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: A linguagem de representação nos estudos linguísticos – uma abordagem epistemológica
Autor(es): Luisa Andrade Gomes Godoy. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 22/02/2024
Palavra-chave epistemologia, linguagem de representao, Semntica Gerativa
Resumo

Este trabalho, de cunho epistemológico, propõe enfocar e discutir um componente fundamental da produção de conhecimento em Linguística: a linguagem de representação. Ela não equivale nem às hipóteses teóricas das diferentes escolas/correntes (hipóteses “núcleo duro”, nos termos de Lakatos) nem aos diferentes métodos procedimentais (de coleta, mensuração e análise de dados). Trata-se de uma maneira de expressar determinados conceitos analíticos acerca da língua natural, evitando a utilização da própria língua natural para fazê-lo, o que resultaria em vaguezas e tautologias. Assim, elege-se ou cria-se uma linguagem diferente da língua, por isso também chamada “metalinguagem”. Todo tipo de pesquisa linguística faz uso de uma linguagem de representação, como os caracteres fonéticos das áreas de Fonética e Fonologia, as fórmulas lógicas da Semântica Formal, os esquemas gráficos das correntes Funcionalistas/Cognitivistas etc. A linguagem de representação parece ser uma espécie de assinatura de uma corrente. É o caso das árvores sintáticas, que remetem inequivocamente à corrente gerativista. Porém, se a linguagem de representação identifica uma determinada escola, não significa que a teoria dessa escola necessariamente deva utilizar aquela linguagem. As hipóteses teóricas da corrente gerativista, tais como o inatismo e a G.U, e mesmo a centralidade da sintaxe mantêm-se intactas se não houvesse árvores sintáticas. O que os diagramas arbóreos fazem é expressar essas relações de forma mais clara e precisa. Neste trabalho, proponho que tenhamos bem separados esses componentes do fazer científico em Linguística – escola de um lado, hipóteses teóricas de outro, a metalinguagem de outro, e de outro o componente metodológico. Assim, é possível compreender melhor o processo de produção do conhecimento linguístico ao longo do tempo e ainda sugerir idéias para uma ética da Linguística. Proponho analisar os acontecimentos históricos relativos à corrente outrora chamada de Semântica Gerativa. Essa corrente, tendo polarizado com a corrente da Sintaxe Gerativa, foi “derrotada” em relação às suas hipóteses teóricas, e a teoria caiu em desuso. Contudo, a sua linguagem de representação – a decomposição de predicados – seguiu sendo utilizada, muitas vezes sem menção à sua denominação e a seus proponentes originais. Parece tratar-se, então, de uma identificação da teoria com a metalinguagem. Este trabalho visa elaborar mais detalhadamente tal raciocínio epistemológico, seguindo idéias sobre a linguagem de representação enfocada (Godoy, 2012 e Cançado; Godoy; Amaral, 2014) e sobre a moderna epistemologia da ciência, conforme, dentre outros, Latour (1987).