logo

Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: Uma releitura da ambigüidade a partir da TOPE: os gêneros discursivos em discussão
Autor(es): Cssia Regina Coutinho Sossolote. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 23/02/2024
Palavra-chave ambiguidade, enunciao, gneros discursivos
Resumo

É frequente, quando indagamos os graduandos em Letras, vê-los definir a ambiguidade com base na função que desempenha na instância do texto ou a partir da organização e do funcionamento dos textos assim considerados.  Em relação à função dos textos “ambíguos”, os futuros professores consideram a ambiguidade um importante recurso estilístico do qual os indivíduos podem se valer na produção de humor, de comicidade, de ironia, no processo de leitura.  Da organização e do funcionamento, é comum considerá-la como resultante de outros fenômenos como a polissemia e a metáfora. Com base em corpus constituído sobre o discurso metalingüístico produzido por alunos de uma instituição de ensino superior, observamos que, para eles, a ambigüidade constitui característica de alguns gêneros discursivos em relação a qual os textos poéticos, os textos publicitários e as propagandas ganhariam sua identidade, por exemplo. Em relação a um conjunto de gêneros discursivos, a ambigüidade resultaria, então, de atividade intencional do sujeito que a reconheceria e por isso, modelaria seu texto em função de uma característica que se apresenta a ele como uma coerção própria ao gênero que se quer produzir.  Nesta comunicação, discutiremos a aproximação que os graduandos estabelecem entre ambigüidade e determinados gêneros de discurso com base na Teoria das Operações Predicativas e Enunciativas tal como foi formulada por Antoine Culioli, linguista francês.  Na comunicação em pauta, buscaremos demonstrar que a ambigüidade não está circunscrita a alguns gêneros textuais, mas constitui um fenômeno de linguagem que Antoine Culioli distinguiu para articulá-la à língua. Linguagem constitui, para este autor, uma atividade subjetiva, própria da espécie humana, que se define em relação às atividades de representação, de referenciação lingüística e de regulação intersubjetiva que só podem ser apreendidas na instância da língua. Como as atividades que definem a linguagem, definem a relação que os indivíduos estabelecem com a língua e com o mundo físico-cultural, no processo de produção e reconhecimento de formas pelos indivíduos, ela estará sempre presente bem como o esforço para desambigüizar os enunciados. Na desambiguização, todavia, não está implicada a (re)construção de sentidos idênticos pelos enunciadores, mas de sentidos possíveis em virtude de diferenças empíricas determinadas pela língua e pela cultura que estabelecem entre si de relações de imbricação. Demonstraremos, por meio de um conjunto de enunciados pertencentes a diferentes gêneros, que a ambiguidade é constitutiva da linguagem e, portanto, dos textos produzidos em uma língua natural como o Português.