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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: Análise de usos modais do verbo dar em entrevistas no português brasileiro
Autor(es): Cibele Naidhig de Souza . In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 24/02/2024
Palavra-chave modalidade, gramtica funcional, verbo dar
Resumo

O objetivo do trabalho é examinar padrões de uso do verbo dar como modalizador, buscando-se identificar deslizamentos funcionais. A pesquisa serve-se de textos retirados do Corpus do Português, da Universidade de Brigham Young (EUA), disponíveis no endereço http://corpusdoportugues.org/. Esse banco de dados abriga mais de 45 milhões de palavras do português (brasileiro e europeu) distribuídas por diversas sincronias (século XIV a século XX) e diferentes gêneros de fala e de escrita. O exame restringe-se a entrevistas no português brasileiro do século XX.  Utiliza-se como aparato teórico-metodológico o modelo da Gramática Discursivo Funcional, GDF ( Hengeveld e Makenzie, 2008), que contempla quatro níveis gramaticais (Interpessoal, Representacional, Morfossintático e Fonológico), organizados em ordem descendente, de modo que a pragmática governa a semântica, a pragmática e a semântica governam a morfossintaxe e a pragmática, a semântica e a morfossintaxe governam a fonologia. Atrelada ao modelo da GDF está a proposta de classificação das modalidades de Hengeveld (2004) que parte do cruzamento de dois parâmetros, alvo da avaliação modal (orientada para o participante, orientada para o evento e orientada para a proposição) e domínio da avaliação modal (facultativo, deôntico, epistêmico, volitivo e evidencial). As modalidades são analisadas no nível Representacional da GDF que, como os demais níveis gramaticais, é estruturado de modo particular em camadas organizadas hierarquicamente, o que permite que se identifiquem e se expliquem expansões funcionais.  O estudo revela tendência à cristalização dos usos modais de dar em expressões fixas e rotineiras, no presente do indicativo, na forma impessoal e em contextos negativos, codificando predominantemente a modalidade orientada para o evento. Essas construções encontram-se agregadas a condições pragmaticamente singulares como se fossem fórmulas situacionais. Nos textos examinados, localizaram-se usos modais de dar do tipo facultativo (orientado para o participante) e deôntico (orientado para o participante e orientado para o evento). Verifica-se, nesses usos novos e cristalizados de dar, uma expansão dos escopos, de participante, que se localiza na camada das propriedades configuracionais do nível Representacional, para camadas mais altas na hierarquia do modelo adotado, a dos estados-de-coisas.