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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: A cobertura de mortes trágicas e/ou violentas por O Globo: uma abordagem semiótica
Autor(es): Raiane Nogueira Gama. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 02/03/2024
Palavra-chave morte, sensacionalismo, O Globo
Resumo

Este trabalho tem por objetivo investigar como o jornal  O Globo  constrói em suas capas o noticiário de mortes trágicas e/ou violentas, fatos de grande comoção pública, sensacionais por si só. Partimos de uma pesquisa desenvolvida anteriormente, sobre a cobertura do massacre de Realengo, em que identificamos a proximidade do veículo ao polo mais apelativo de um  continuum  traçado com capas de 12 jornais, das mais distantes às mais próximas do jornalismo dito sensacionalista, em uma gradação qualitativa de efeitos de sentido. Com base no resultado obtido, nos ancoramos na metodologia proposta pela semiótica francesa e em seu desdobramento tensivo para verificarmos se reaparecem traços sensacionalistas na cobertura feita por  O Globo  de outros episódios referentes ao tema. O  corpus  é formado por 12 capas do primeiro caderno e de cadernos especiais publicados nos dias seguintes aos fatos selecionados para análise. São eles: o massacre do Colorado, quando um estudante invadiu um cinema nos EUA durante a pré-estreia do filme “Batman - o Cavaleiro das Trevas ressurge” e atirou contra os espectadores; a catástrofe que atingiu a Região Serrana do Rio de Janeiro em 2011, matando, pelo menos, 800 pessoas; novamente o massacre de Realengo, nos permitindo um aprofundamento maior no episódio já retratado na pesquisa anterior; e a morte do líder líbio Muamar Kadafi, que marcou o fim de uma ditadura de 42 anos. Observamos que, em algumas edições,  O Globo  se rende preferencialmente ao estilo enunciativo dito sensacionalista. Nesses casos, o veículo abandona o perfil inicial de enunciador, do jornal moderado, para se projetar como “uma voz discursiva que grita” (DISCINI, 2013, p. 129). Com isso, a pesquisa explicita uma certa permeabilidade entre os estilos moderado e sensacionalista, em que as fronteiras nítidas entre esses dois estilos enunciativos se desfazem na dimensão pragmática e complexa da práxis jornalística.