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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: Sexualidade e linguagem: quando (e onde) a palavra encontra o corpo
Autor(es): Ane Ribeiro Patti, Elci A. Macedo Ribeiro Patti. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 05/03/2024
Palavra-chave significante e ideologia, sexualidade, sujeito e discurso
Resumo

Com este trabalho pretendemos realizar uma tessitura entre a psicanálise e a ad de matriz francesa no que tange os conceitos de significante e ideologia na constituição da sexualidade humana. Partimos de um texto de Michel Pêcheux (O mecanismo do (des)conhecimento ideológico (1996)) em que ele retoma princípios do funcionamento ideológico articulado por Louis Althusser (1996), diferenciando a ideologia em geral (singular, estrutural) das ideologias dominantes (plurais, formações discursivas), onde estas teriam uma história própria, e a ideologia em geral não teria “uma” historia, no sentido em que é a-histórica, tem um funcionamento imutável, é então, identificada a um processo. Este processo ideológico elementar é articulado ao inconsciente freudiano ainda nos textos de Althusser (1996) e de Pêcheux (2006 [1983]; 1996; 2009 [1975]), responsável pelo ilusório efeito de (ser) sujeito e de (ter/fazer) sentido, sendo que a evidência do sentido é tão ilusória quanto a evidência do sujeito, já que ideologia e inconsciente, estruturalmente, trabalham/operam “ocultando sua própria existência, produzindo uma rede de verdades “subjetivas” evidentes, com o “subjetivas” significando, aqui, não “que afetam o sujeito”, mas “em que o sujeito se constitui””. (p. 148). Na constituição do sujeito, de acordo com a psicanálise, há a linguagem tecendo uma sexualidade singular, irrepetível, que nasce a partir de um Outro que investirá no bebê humano (outro) a aposta de um sujeito. Porém, não basta a oferta da linguagem por um ser falante que a transmita, o bebê humano há que se engajar, se colocar em posição de sujeito, agente, ativo, que se afeta pela linguagem. Buscamos, então, na obra freudiana os conceitos de pulsão (representante psíquico de uma fonte endógena que se liga à linguagem) e inconsciente para refletirmos sobre estes pontos de operação simbólica e ideológica: onde e quando a palavra encontra o corpo, sustentando o que advém no humano, sua sexualidade? Por fim, é com a voz de Pêcheux (1996) que sustentaremos o enigma do “voluntariado” humano, aquele que diz respeito às modalidades de afetação pelo significante na operação ideológica de recrutamento e sucessivas identificações do sujeito humano. “Por que nos engatamos num discurso do outro?”. O como? Ele deixa uma hipótese, a saber: aceitando, aceitando o processo do significante na interpelação. Em Freud e Lacan, também um ato inaugural estaria na base do advir humano. Ato de coragem que engaja o ser na via da vida e do vivo.