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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: EFEITO CULPABILIDADE EM DISCURSIVIZAÇÕES MIDIÁTICAS: CRIMES PASSIONAIS E RELAÇÕES DE GÊNERO
Autor(es): Vnia da Silva. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 23/02/2024
Palavra-chave Anlise do Discurso, Prticas miditicas, Crimes Passionais
Resumo

Apesar da ausência de estudos e dados específicos acerca de homicídios passionais no Brasil, conforme o Mapa da Violência 2012 (Waiselfisz, 2012), o Brasil encontra-se em sétimo lugar, entre 84 países, em número de homícidios femininos. O Paraná é o terceiro estado em homícidios contra mulheres, com taxa de 6,4 em cada 100 mil mulheres. Não há, contudo, estudos que apontem dados acerca da relação crime e paixão quando a agressora é a parceira. No tocante à mídia, essa discurzivização ainda é desproporcional. À mulher, são, diversas vezes, postas discursividades acerca de práticas que reservam a esses sujeitos uma condição de não-violência, de passividade, interessadas em questões do âmbito doméstico e familiar e perpassadas pela docilidade. A disposição de uma nova ordem do discurso permite que sejam enunciadas não mais apenas esse sujeito, mas efeitos de verdade a respeito da mulher criminosa. Em meio a discursivizações de “mulheres rés” é que este trabalho se delineia. O diálogo entre os conceitos de condições de produção, sujeito e memória em sua inter-relação com uma compreensão das práticas midiáticas e da constituição de crimes passionais permite que se interrogue como as práticas discursivas midiáticas criam efeitos de verdade acerca da mulher “ré” de crimes passionais não premeditados. Nesse sentido, a partir de uma perspectiva pêcheutiana, objetiva-se observar o funcionamento midiático no que tange à “culpabilidade” desse sujeito transgressor em alguns recortes discursivos retirados de textos noticiosos da versão online do Jornal Gazeta do Povo, periódico de ampla circulação no Paraná. Por meio da compreensão de variáveis como a forma de matar, quais os sujeitos envolvidos no ato delituoso, a causalidade, o histórico social e/ou sexual dos parceiros (ou ex-parceiros) e a reação do sujeito agressor e sujeito “vítima” durante e após o crime, discursiviza-se não apenas parceiros e crimes passionais, mas responsabilizações sociais e midiáticas e, por decorrência, as relações de gênero vigentes.