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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: O CORPO MEDIÚNICO NA PRÁTICA DA PSICOGRAFIA: UMA PERSPECTIVA SEMIÓTICA
Autor(es): Cintia Alves da Silva. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 26/02/2024
Palavra-chave Semitica, Prticas semiticas, Psicografia
Resumo

A psicografia ou escrita mediúnica, prática descrita pela primeira vez pelo educador francês Allan Kardec – pseudônimo de Hippolyte Léon Denizard Rivail – em O livro dos médiuns (1861), foi largamente difundida no Brasil pelo médium mineiro Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier, 1910-2002), reconhecido por sua vasta e diversificada produção bibliográfica atribuída inteiramente a “autores espirituais”. De brincadeira de salão, em Paris, nos meados do século XIX, à prática religiosa exercida, sobretudo, em reuniões privativas nos centros espíritas e, adicionalmente, geradora de obras de ampla inserção no mercado editorial brasileiro, na atualidade, o trajeto da psicografia envolveu modificações significativas tanto em seus objetos-suportes quanto no próprio estatuto do médium e do corpo mediúnico. Realizada inicialmente por meio de “cestas de bico” (corbeilles) e pranchetas nas quais se prendia o lápis, a psicografia passou rapidamente por modificações em sua forma de produção, sendo, por fim, executada unicamente com o emprego da mão de um “médium” ou “intermediário”, que empunhava diretamente o lápis na transmissão de supostas “mensagens do além”. Sob a perspectiva da semiótica greimasiana e com base, principalmente, nas contribuições de Jacques Fontanille para o estudo das práticas semióticas e do corpo semiótico, este trabalho tem como objetivo apresentar uma reflexão sobre o estatuto do corpo mediúnico na prática da psicografia. Procederemos, assim, à descrição e análise do médium – e da mediação – como instância enunciativa intermediária, cujas debreagens, de maior ou menor grau, resultam em diferentes regimes veridictórios. Recorrendo à noção fontaniliana de “corpo-actante”, que tem como instâncias constitutivas a “carne” (moi) e o “corpo-próprio” (soi), enquanto geradoras de esquemas reguladores de atos, propomos descrever o transe mediúnico a partir do “corpo mediúnico”, concebido como “prótese de enunciação”, isto é, como instância enunciante mediadora, tanto perceptiva (input) quanto produtora de significação (output). Tais noções têm como objetivo nos auxiliar a descrever, por exemplo, o processo de dissociação da consciência, própria do transe mediúnico, por meio dos mecanismos enuncivos e enunciativos responsáveis pela veridicção, relacionados aos processos de legitimação do discurso espírita.