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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: A produção do conceito de resistência em Michel Foucault
Autor(es): Atlio Butturi Junior. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 25/02/2024
Palavra-chave Resistncia, Sujeito, tica
Resumo

O trabalho pretende traçar o itinerário discursivo de uma problemática central nos escritos da chamada “fase ética” de Michel Foucault: a resistência, a partir do projeto de uma possível ontologia do presente. Para isso, recorre à uma perspectiva de caráter arqueogenealógico, observando os enunciados que, no discurso foucaultiano, produzem comentários acerca de duas discursividades paradigmáticas dos saberes filosóficos: a tradição da Antiguidade e a Ontologia Fundamental heideggeriana. Inicialmente, discorre sobre a leitura foucaultiana da aparição, na tradição greco-latina, de discursos sobre o cuidado de si (epimeleia heautou), de práticas de exame e exercício (áskesis) e do “franco falar” (parrhesia), que inaugurariam um modelo ético de subjetivação no interior dos códigos morais, relacionado à coragem do dizer e à estética da existência. Adiante, o trabalho discorre sobre as relações que a arqueogenealogia guarda com a ontologia fundamental de Martin Heidegger e os imperativos da destruição da metafísica   e de reflexão sobre a ´tecnia (Gestell) da modernidade, atentando, porém, para a retomada das formas de subjetivação como elemento de resistência e crítica na ética agonística de Foucault. O que se pretende, nesse segundo bloco, é inventariar o papel fulcral que a filosofia do Dasein e do cuidado (Sorge) heideggeriana ocupa, ainda que relida e reestabelecida em bases pretensamente não-metafísicas, na produção de uma preocupação sobre formas de subjetivação criativas e suas consequentes resitências no interior dos dispositivos de poder, sempre positivos e plásticos. Ao analisar séries de discurso tão díspares, o que se intenta, por fim, é apontar no discurso de Michel Foucault, não obstante seu caráter por muitas vezes cesuralista, um pertencimento – deliberadamente solicitado por ele, sobretudo em seus últimos estudos – , a uma espécie de tradição: os discursos em que os saberes estão sempre relacionados à produção de éticas e nos quais a subjetividade ocupa um espaço fundamental de crítica e resistência políticas.